quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Game: Resident Evil Revelations


Resident Evil Revelations foi lançado originalmente para o portátil Nintendo 3DS em 2012, pela Capcom. Após muitos pedidos de fãs, em 2013 o jogo foi relançado em HD para PlayStation 3, Xbox 360, Wii U e PC.

O jogo segue um modelo dos clássicos da franquia e utiliza elementos atuais, além da tecnologia 3D, para trazer de volta um pouco do gênero Survival Horror de forma atualizada. Apesar de não ser um título numerado, a história se passa entre Resident Evil 4 e Resident Evil 5, em diversos locais, mas sendo na maior parte em um navio - o Queen Zenobia.

OBS: Este review é sobre o port para os consoles de mesa, chamado de Unveiled Edition.




Enredo

Terragrigia, uma cidade flutuante construída com tecnologia sustentável de captação de energia solar, foi alvo de um ataque da organização terrorista Il Veltro em 2004. A organização, oposta ao desenvolvimento da cidade, lançou as Bio Organic Weapons (B.O.W.) Hunters para destruir construções e exterminar a população local.
Enquanto a destruição da cidade acontecia, a Federal Bioterrorism Comission (FBC) atuava na cidade com o objetivo de salvar e evacuar a população, porém apenas alguns agentes sobreviveram, dentre eles Parker Luciani e Jessica Sherawat. Juntos, puderam evacuar alguns sobreviventes e escapar da cidade, que ao ser dominada, foi completamente destruída com o uso de um raio solar concentrado por um satélite pertencente à FBC.

No ano seguinte, a Bioterrorism Security Accessment Alliance (BSAA) (na época, uma pequena organização) envia os agentes Chris Redfield e Jessica Sherawat em uma missão para investigar uma possível reaparição da Il Veltro, porém são dados como desaparecidos. Um tempo depois, os agentes Jill Valentine e Parker Luciani são enviados ao navio Queen Zenobia, onde Chris e Jessica poderiam estar.

Curiosidade

A história de Resident Evil Revelations foi escrita com base no livro "The Divine Comedy" (escrito por Dante Alighieri) pelo roteirista japonês Dai Sato, famoso por ter escrito histórias de animes de sucesso como Cowboy Bebop e Samurai Champloo. Durante o jogo, há diversas citações e referências ao livro de Dante, e ao final, é possível ver o cuidado e a complexidade da história, características marcantes dos animes já citados.
Outro elemento de destaque é a maneira em que a história é contada. Dividida em capítulos, ao começar cada um deles, é passada uma cutscene mostrando tudo o que aconteceu no capítulo anterior, de forma resumida. Isso também acontece em alguns animes.


Jogabilidade

A jogabilidade de Resident Evil Revelations segue o mesmo padrão de Resident Evil 5, porém com um toque clássico e ainda adaptado ao portátil da Nintendo:

- A movimentação do personagem é um pouco mais devagar do que em RE5;

- A faca de combate pode ser utilizada ao apertar apenas um botão, e pode ser mirada apenas um pouco para cima e para baixo (mas ainda podendo acertar inimigos deitados);

- O sistema de desvio de Resident Evil 3 (PlayStation), no qual o jogador deveria pressionar uma sequência de botões - no qual não aparecem na tela - para desviar de ataques, está de volta;

- Quando o personagem é atacado por certos monstros, ele cai no chão e é possível disparar com a pistola enquanto estiver caído;

- É possível nadar embaixo d'água, onde há um sistema de combate mais simplificado;

- O inventário é infinito, sendo possível carregar todos os 4 tipos de granadas em quantidade máxima e munição para todas as armas;

- É possível carregar apenas 3 armas por vez e customizá-las com "partes" capazes de aumentar poder de fogo, cadência de disparo etc;

- O mapa, quando aberto pelo inventário, é representado em 3D;

- O equipamento Genesis Scanner possui duas funções que auxiliam o jogador durante o jogo inteiro.

A combinação desses elementos foi capaz de criar uma jogabilidade completamente nova e familiar aos novos e velhos fãs da série. Ainda, há a opção de escolher entre o tipo Clássico de controle ou Shooter.


Gráficos

A engine utilizada em Resident Evil Revelations é uma adaptação da MT Framework, também utilizada em Resident Evil 5 e Marvel vs Capcom 3. Por se tratar de um port, o jogo não está com a engine original, e sim com a adaptada.

As texturas são boas, porém em alguns pontos é possível perceber que a Capcom fez apenas um upscale das texturas originais da versão 3DS. Mesmo assim, a pouca iluminação e efeitos de luz escondem esses detalhes, e assim, são despercebidos.
A iluminação não é algo de grande destaque no port, pois como a maior parte dos cenários são escuros, qualquer luz é capaz de chamar a atenção, mais do que os efeitos dessa luz incidindo sobre o personagem, por exemplo. Mesmo assim, ela funciona bem, principalmente devido às lanternas dos personagens que servem para iluminar alguns caminhos.
Pelo fato da versão 3DS possuir sons simples para economia de memória, todas as armas de mesmo tipo (pistolas, machineguns...) possuem o mesmo som de disparo e recarga, que são na verdade sons das armas de Resident Evil 5. Isso, no port, é algo incômodo, porém pode ser ignorado devido aos outros sons: Monstros, ambiente, passos etc.
Por último, o processamento dos mapas. Os mapas do jogo são gigantes, porém divididos através de portas, que atuam de forma similar aos clássicos da franquia: Quando o personagem está abrindo a porta, rapidamente as texturas da próxima área carregam. Apenas em algumas partes do jogo as portas foram programadas para carregar cutscenes ou telas de carregamento. Isso é algo de grande destaque, pois mantém o jogador "dentro do jogo" sem interrupções. Porém, ao mesmo tempo é incômodo, principalmente no extra Raid Mode.


Coletáveis

Resident Evil Revelations não possui exatamente coletáveis, e sim "escaneáveis". Através do equipamento Genesis Scanner, é possível encontrar marcas de mão (handprints) por todo o jogo, totalizando 30. Ao escanear todas as marcas, o jogador obtém conquistas e partes de armas para a campanha.


Extras

Durante a campanha, o jogador pode acabar completando, até mesmo sem querer, alguns desafios do jogo que além de renderem conquistas, rendem partes ou até mesmo armas. No Raid Mode, também é possível obter recompensas para a campanha.

Armas

- Pistola PC356: Matar 150 inimigos;
- Rifle PSG-1: Escanear 15 marcas de mão;
- Pistola G18: Escanear 30 marcas de mão;
- Escopeta Hydra: Terminar o jogo na dificuldade Normal ou maior;
- Infinite Rocket Launcher: Terminar o jogo na dificuldade Infernal;

Partes de Armas

- Bind 1: Desviar de 20 ataques;
- Long Magazine 2: Usar golpe físico carregado ao máximo 10 vezes;
- Charge Shot 3: Terminar o jogo na dificuldade Casual ou maior;
- Auto Loader: Terminar o jogo sem morrer na dificuldade Normal ou maior;

Mapas/Dificuldades

- Níveis 1-20 do Raid Mode (dificuldade Chasm): Terminar a campanha;
- Dificuldade Infernal: Terminar a campanha no modo Normal;

Personagens para Raid Mode (através da campanha)

- Keith Lumley (roupa 1 - Snow): Terminar os episódios 4 até 6 em qualquer dificuldade.


Raid Mode

O modo extra de Resident Evil Revelations conta com uma estrutura co-op voltada à ação, sendo o modo que mais aumenta o fator replay do jogo.

Nele, é possível controlar praticamente todos os personagens de destaque do jogo, passando por áreas da campanha adaptadas com inimigos diferentes e diversos desafios. Por se tratar de um Battle Game, nele há barras de vida dos monstros, e a cada golpe ou disparo dado, números indicadores de dano aparecem em cinza (fraco), amarelo (normal), vermelho (alto) e vermelho maior (crítico).

Há mais armas nesse modo, pois além de incluir as que podem ser utilizadas na campanha, há armas "super raras" que, por serem difíceis de obter, são as mais poderosas. Também é possível encontrar variações dessas armas, com tags ou nomes diferentes.

O modo também conta com um sistema de níveis, sendo o nível máximo o 50. Os mapas também são classificados em dificuldade através desses níveis. As armas também possuem níveis, porém elas não podem ser upadas.


Personagens

Os personagens do Raid Mode são liberados ao completar desafios do próprio modo (com exceção dos já liberados desde início e Keith Lumley com sua primeira roupa). Na versão original de 3DS, Rachael Foley e HUNK não estavam disponíveis, assim como as terceiras roupas de Jill, Chris e Keith. No port, ainda é possível comprar, via DLC, duas roupas adicionais para Rachael e HUNK, que são Rachael Ooze e Lady HUNK.
Cada um dos personagens possui uma característica diferente em relação ao equipamento, podendo, por exemplo, aumentar o dano de golpes físicos ou até mesmo a cadência de disparo das armas.

- Jill Valentine: Especializada com pistolas e metralhadoras. Sua última roupa permite desviar de ataques mais facilmente;

- Chris Redfield: Especializado com escopetas e rifles. Sua última roupa garante invencibilidade por 3 segundos após utilizar uma erva;

- Parker Luciani: Especializado com pistolas e escopetas. Sua primeira roupa permite desferir golpes com machado, aumentando o dano com esta arma;

- Jessica Sherawat: Especializada com metralhadoras e rifles. Sua última roupa permite desviar de ataques mais facilmente;

- Keith Lumley: Especializado com metralhadoras e combate corpo a corpo. Sua última roupa permite desferir golpes mais poderosos com suas katanas e desviar de ataques mais facilmente;

- Quint Cetcham: Especializado com escopetas e explosivos. Sua primeira roupa possui bônus de dano para golpes físicos;

- Raymond Vester: Especializado com pistolas e revólveres;

- Rachael Foley: Especializada com escopetas e revólveres, e é a única capaz de regenerar vida lentamente. Sua roupa adicional (Rachael Ooze) é especializada em combate corpo a corpo e regenera vida mais rapidamente;

- Clive R. O'Brian: Especializado com pistolas e explosivos;

- Morgan Lansdale: Especializado com rifles e revólveres;

- Jack Norman: Especializado com rifles, combate corpo a corpo e explosivos;

- HUNK: Especializado com metralhadoras e revólveres, e é capaz de desviar de golpes mais facilmente. Sua roupa adicional (Lady HUNK) é especializada com revólveres.


Downloadable Content

O conteúdo adicional de Resident Evil Revelations é variado, partindo dos dois personagens extras até armas e partes de armas.

- Lady HUNK: Versão feminina de HUNK com a mesma dublagem de Rachael e golpe físico único;

- Rachael Ooze: Versão infectada de Rachael, com novas animações;

- Resistance Set (Weapon Pack): Armas G18 "Speed Load", Python "Short Range+", P-90 "Sonic Assist", High Roller "Speed Load", Windham "Steady Hand" e PSG1 "Long Range+" para o Raid Mode;

- Enhancement Set (Weapon Pack): Armas PC356 "Speed Shot", L. Hawk "Speed Load", MP5 "Speed Shot", High Roller "Sonic Assist+", Hydra "Sonic Assist" e M40A1 "Sonic Assist+" para o Raid Mode;

- Signature (Weapon Pack): Pistolas Samurai Edge, Parker's Government e Jessica's G18.


Review/Minha história com o jogo

Pude acompanhar praticamente todas as notícias sobre Resident Evil Revelations, e na época que lançaram para Nintendo 3DS, eu mesmo chateado por não poder jogar (por possuir apenas um PlayStation 3), estava empolgado para ver como era o jogo. Por dias, pesquisei por gameplays no Youtube, porém a qualidade dos vídeos era muito baixa devido ao console ser portátil, logo impossibilitando a gravação do jogo.
Um dia, encontrei um canal no qual o dono postou gameplays de toda a campanha com uma qualidade boa, e som apenas do jogo. Ao assistir, me fascinei pela história e as cutscenes, porém fiquei confuso com alguns elementos que acabaram retirando do port, como a mira em primeira pessoa. Mesmo assim, não via a hora de jogar.
No ano seguinte, após o lançamento, um amigo meu disse que compraria e dividiria o jogo comigo pela PSN, e isso me deixou mais ansioso. Mesmo depois de muito tempo, ele manteve a palavra e eu finalmente pude experimentar o jogo.

Primeiramente, fiquei fascinado pelos gráficos. Mesmo sendo um pouco inferiores aos de Resident Evil 5, eram superiores ao de Resident Evil 6, e havia algo a mais: A sensação de profundidade. Mesmo em uma TV sem essa opção, pude perceber uma diferença grande entre esse jogo e os outros já mencionados.
Eu já sabia o que fazer nas primeiras partes, pois havia testado a demonstração e também havia visto gameplays. Mesmo assim, tomei diversos sustos e, depois de tanto tempo sem essa sensação, pude sentir medo de um jogo. Os sons, o ambiente, e as diversas surpresas pelo caminho me fascinavam cada vez mais.

O que não me agradou logo de cara foi a jogabilidade. Carregar 3 armas por vez é interessante, mas fazer elas aparecerem do nada durante uma troca de armas é muito estranho. Porém sei que não devo reclamar muito disso, pois se isso não tivesse sido colocado na versão original, consumiria muito mais memória do portátil. Também achei que o som das armas ficou ridículo, porém como já comentei antes, isso também foi feito para diminuir o uso de memória do portátil. Mesmo assim, não estamos falando de portátil, e sim do port, onde a Capcom poderia substituir esses sons facilmente.
O uso da faca de combate também não me agradou muito, pois o fato da mira com esta arma ser limitada a "um pouco para cima e um pouco para baixo", dificulta o jogador quando este quer acertar algo que está embaixo do personagem. Para isso não há desculpa de limitação do 3DS, ou seja, realmente foi um vacilo da Capcom.

Porém, teve uma pequena coisa que me agradou logo de cara. Na versão original, o cabelo amarrado de Jill é simplesmente duro. Após jogar Resident Evil 5, onde seu cabelo se mexia a cada movimento, achei isso estranho. Mas no port, o cabelo dela mexe! Foi algo realmente muito pequeno, mas que me fez ver que houve uma preocupação quanto a isso, pelo menos. Também achei interessante o sistema de customização de armas, pois elas possuem slots limitados e é necessário pensar bem no que colocar para ela se adequar ao seu modo de jogo. Os monstros e suas histórias também me agradaram, pois mesmo sendo criaturas completamente diferentes do clichê de zumbis, elas assustam tanto quanto. Em resumo, curti muito a relação entre personagem + arma + monstro neste port.
Quanto aos cenários, eu também gostei de vários, mas não todos. Alguns são muito iluminados, outros são mal detalhados (montanhas, por exemplo)... Mas no geral, o jogo está bom nesse aspecto.

Quando experimentei o Raid Mode, pude ver um universo diferente. Eu sabia o que fazer nas fases, porém não sabia como fazer. Joguei sozinho primeiramente, e isso dificultava na hora de ganhar os bônus e até mesmo a sobrevivência. Eu precisava me acostumar com a ação e estratégia do modo para conseguir fazer o que queria, porém as diversas falhas sozinho me fizeram enjoar um pouco. Tentei experimentar o co-op, porém eu nunca encontrava um lobby bom e do meu nível, e ninguém queria ajudar. Foi então que decidi jogar sozinho, devagar e mesmo impaciente, tentando alguma coisa.
Quando consegui terminar todas as fases na dificuldade Trench, comecei as do Abyss. A dificuldade era absurdamente mais alta para mim, e fui jogando de forma ainda mais devagar, às vezes jogando por um dia inteiro e não conseguindo passar de uma única fase. Quando eu estava quase desistindo desse jogo, tentei uma última vez o co-op. Foi quando finalmente fui ajudado, e consegui upar e ganhar itens melhores, além de conquistas que eu achava que eram impossíveis. Mas isso não aconteceu por acaso: O servidor de Resident Evil Revelations possui, atualmente, muitos veteranos que gostam de participar de eventos da rede ResidentEvil.net, ou que querem terminar a fase bônus com outros veteranos. Basicamente, um novato não tem muitas chances de jogar a menos que encontre um amigo disposto a isso, ou que consiga upar até níveis altos sem ajuda.
Outro fator que impede que alguns jogadores ajudem uns aos outros, é o fato de haver hackers. A Capcom nunca ligou para esse problema desde que lançou Resident Evil 5, e em Revelations não é diferente. Como as fases são difíceis, e o progresso é salvo em um Save File, algumas pessoas baixam um save hackeado que além de possuir todas as fases com rank S, também ganham de bônus uma Infinite Rocket Launcher no modo, algo que só existe por esses meios. Essas pessoas até ajudam a passar de fases, porém apenas em algumas, não todas.


Concluindo o review, deixo minha nota ao jogo: 8,0/10. E justificarei agora.

Como já comentei, a jogabilidade me agradou, mas algumas coisas dela não me agradaram. Os gráficos podem ser bons, mas não são melhores que Resident Evil 5, que é 4 anos mais velho (RE5 = 2009, Revelations (port) = 2013). Os sons das armas também não são realísticos. E além disso, o Raid Mode é MUITO desbalanceado para quem quer jogar sozinho. O jogo praticamente te obriga a jogar com alguém em determinado ponto, pois não oferece boas opções de armamento a menos que você compre via DLC ou espere até soltarem um código no ResidentEvil.net. Enfim, é um Pay-to-Win na cara dura.
Para quem procura uma história boa e uma campanha interessante, recomendo muito. Porém, para quem se interessa apenas no Raid Mode, só recomendo com a ajuda de um parceiro garantida.

Quanto às DLCs, acredito que nenhuma seja realmente necessária para deixar uma partida mais interessante. Armas diferentes, por mais que sejam interessantes, são completamente dispensáveis, e sobre personagens, a menos que a pessoa seja muito rigorosa quanto à própria performance e/ou a de suas armas, eu não recomendo. Lady HUNK é a melhor personagem para utilizar as armas mais fortes (revólveres), porém Raymond pode substituí-la, pois não há tanta diferença assim entre os dois. Rachael Ooze até consegue utilizar armas, mas a recarga delas é muito demorada, e partir para um knife-run em dificuldades altas (na verdade punch-run, já que a personagem desfere golpes parecidos com socos ou garradas) é insano.

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